O Brasil poderá enfrentar ao menos seis ondas de calor nos próximos quatro meses, segundo análise do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). A projeção associa as temperaturas elevadas à intensificação do fenômeno El Niño, que deve atingir seu pico entre o fim de 2026 e o início de 2027.
A estimativa de seis episódios é considerada uma média e o número final pode ser maior, informou Mabel Calim Costa, pesquisadora do Cemaden e doutora em Ciências do Sistema Terrestre. No último El Niño, o país registrou nove ondas de calor entre agosto e dezembro, superando a média histórica de quatro eventos.
O aquecimento dos oceanos é apontado como fator que pode tornar o cenário atual mais extremo do que o episódio anterior. De acordo com a apuração, a combinação entre o aquecimento global e o El Niño favorece a ocorrência de temperaturas acima do padrão.
Para o órgão, a onda de calor é caracterizada quando as temperaturas máximas e mínimas permanecem elevadas por pelo menos três dias consecutivos. O fenômeno tem se tornado mais abrangente, atingindo áreas que não eram afetadas nas décadas de 1980 e 1990.
A pesquisadora explicou que as ondas de calor agora podem alcançar praticamente todo o território nacional. O risco é maior em locais que já possuem temperaturas altas ou que carecem de estrutura para lidar com o calor extremo.
O avanço das mudanças climáticas contribui para a intensidade e a duração desses eventos. O período entre 2023 e 2024 foi o mais quente já registrado globalmente, elevando a frequência de episódios críticos no Brasil a partir da década de 2010.


