O governo brasileiro avalia que não haverá avanço rápido nas negociações sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos e que um acordo definitivo deve ocorrer apenas após as eleições. Uma reunião entre o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, e Jamieson Greer, do Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR), está marcada para segunda-feira (31).
O encontro é visto como um ponto de retomada para definir caminhos e combinar quem apresentará as propostas. Greer é considerado uma figura sem autonomia para fazer concessões na gestão Trump, mas aberto a ouvir argumentos técnicos sobre a relação superavitária entre os dois países para influenciar a Casa Branca.
Segundo a apuração, o telefonema entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente Donald Trump promoveu um distensionamento, permitindo a volta à mesa de negociações sem a renúncia a pontos prioritários. A conversa foi calculada para gerar um intervalo de pelo menos um mês e garantir que a ordem de retomar o diálogo partisse do próprio Trump para seus subordinados.
Governistas acreditam que Trump não possui controle total sobre as ações de sua equipe em relação ao Brasil, especialmente em medidas ideológicas, como a retirada de vistos de autoridades brasileiras. Lula afirmou a interlocutores que todos os temas podem ser negociados, mas a orientação é não ceder em pontos cruciais, como o PIX e os minerais críticos.
O Brasil estaria disposto a discutir a redução de alíquotas de bens de capital. O governo também não descarta debater o etanol, desde que haja uma análise conjunta sobre a cadeia produtiva do açúcar e a política de biocombustíveis. Atualmente, a tarifa brasileira sobre o etanol de milho importado dos Estados Unidos é de 18%, enquanto a taxa sobre o etanol brasileiro era de 12,5% antes dos últimos aumentos tarifários.


