O Brasil busca fortalecer a medicina de desastres em resposta à ameaça do El Niño, que pode gerar eventos climáticos extremos. O plano inclui um investimento de R$ 9,8 bilhões até 2035 para expandir hospitais de campanha e equipes em grandes centros urbanos, segundo o secretário-executivo do Ministério da Saúde.
A área de medicina de desastres atua no planejamento e na resposta rápida a tragédias ambientais, como as enchentes no Rio Grande do Sul em 2024. O país iniciou sua estruturação em 2011, após os deslizamentos na região serrana do Rio de Janeiro, com a criação da Força Nacional do SUS.
O Ministério da Saúde informou que a Força Nacional do SUS adicionou novas unidades em Salvador, Porto Alegre e Rio de Janeiro neste ano. Cinco outras bases devem começar a operar em 2027, abrangendo o Nordeste, Centro-Oeste e duas regiões do Norte.
Em relação à capacidade de resposta, no Rio Grande do Sul foram instalados quatro hospitais de campanha, capazes de atender duzentos mil pessoas por três meses. Atualmente, a estrutura conta com oitenta e dois profissionais na gestão e setenta mil voluntários distribuídos nas unidades da federação.
Profissionais da área explicam que a atuação em catástrofes exige capacitação prévia e contínua, devido aos ambientes de estresse e à falta de recursos clínicos habituais. Análises pós-evento em hospitais gaúchos indicaram um crescimento de onze vírgula sete por cento nos atendimentos relacionados a transtornos mentais nos dez meses seguintes à catástrofe.


