O governo de Luiz Inácio Lula da Silva busca a liberação de mais produtos brasileiros das sobretaxas aplicadas pelos Estados Unidos em julho. O ministro Márcio Elias Rosa e o representante comercial americano, Jamieson Greer, se reúnem por videoconferência nesta segunda-feira (31), às 14h30, para discutir a ampliação da lista de exceções.
Este é o primeiro contato direto entre as equipes desde a implementação das tarifas. A cobrança total de 37,5% é dividida em duas partes: uma tarifa de 25%, justificada por supostas práticas comerciais brasileiras que prejudicam o comércio bilateral, e outra de 12,5%, originada de investigações sobre trabalho forçado na cadeia de importação.
Um dos pontos centrais da pauta é o etanol. O Brasil propôs ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) a redução de tarifas de importação em cerca de 300 linhas de produtos, focadas em maquinário e tecnologia da informação. Em troca, o governo brasileiro condicionou a abertura para o etanol americano à redução das barreiras impostas ao açúcar do Brasil, que superam 100% acima da cota anual de 150 mil toneladas.
A medida de vinculação entre os dois produtos foi estabelecida pelo presidente Lula. Mesmo com a proposta de abertura de mercado, os Estados Unidos mantiveram a tarifa de 25% a partir de 22 de julho. Como resposta, o governo brasileiro abriu consultas na Organização Mundial do Comércio (OMC) e iniciou o processo previsto na Lei da Reciprocidade Econômica.
A retomada das conversas ocorreu após telefonema de 1h20 entre Lula e Donald Trump. Não há expectativa de solução definitiva para o impasse antes das eleições brasileiras de outubro. Os dois presidentes devem se encontrar em Nova York, na segunda quinzena de setembro, durante a Assembleia-Geral da ONU.

