O Banco Central foi procurado pelo BTG Pactual e pela J&F em outubro de 2025 para obter uma carta de conforto sobre a compra de ativos do Banco Master. A solicitação visava evitar questionamentos futuros sobre a operação caso o banco fosse liquidado.
Ailton de Aquino, diretor de Fiscalização do Banco Central, informou à Polícia Federal que o BTG Pactual solicitou o documento. A medida seguiu o mesmo modelo usado pela J&F na aquisição da Korv Seguradora. Aquino relatou que a busca por segurança jurídica ocorreu em meio à deterioração financeira do Master.
De acordo com o diretor, a J&F, que pertence aos irmãos Joesley e Wesley Batista, comprou a seguradora via PicPay. O BTG adquiriu outros ativos em operações que, à época, somavam cerca de 1 bilhão de reais. A compra em outubro de 2025 foi a segunda transação do BTG com bens do conglomerado.
O Banco Central anunciou a liquidação extrajudicial do Master em 18 de novembro de 2025. Daniel Vorcaro, que administrava o banco, tornou-se alvo de investigações da Polícia Federal. Ele é suspeito de ter vendido carteiras de crédito falsas ao BRB, banco estatal de Brasília.
A carta de conforto, explicou Aquino, não configura garantia econômica, mas serve para reduzir o risco de a operação ser considerada irregular após a entrada do banco em liquidação. O BTG Pactual não comentou sobre o assunto quando procurado na manhã de quinta-feira (13).

