Warren Buffett, em carta aos acionistas da Berkshire Hathaway, identificou um padrão comportamental que causa danos financeiros duradouros. Ele chamou o hábito de adiar a correção de erros de ‘pecado cardinal’, termo que seu parceiro Charlie Munger definia como ‘chupar o polegar’.
O empresário afirmou que problemas não desaparecem por desejo, mas exigem ação, por mais desconfortável que seja. Segundo Buffett, cada trimestre de espera para corrigir um erro acumula custos. A própria posição da Berkshire na Alphabet demonstra o impacto desse atraso. A empresa reconheceu em 2017 ter perdido a oportunidade de investir no Google, apesar de Buffett ter chamado o negócio de ‘extraordinário’ dois dias depois.
A Berkshire iniciou a participação na Alphabet no terceiro trimestre de 2025, comprando 17,85 milhões de ações avaliadas em cerca de 4,3 bilhões de dólares. Até o segundo trimestre de 2026, essa participação cresceu para aproximadamente 106 milhões de ações, tornando a Alphabet a terceira maior participação da companhia.
Pesquisadores classificaram esse comportamento como ‘efeito disposição’, termo usado pela SEC. Ele descreve a tendência de manter investimentos em queda por tempo prolongado, enquanto vende ganhos rapidamente. Um estudo de 1998 mostrou que investidores vendiam posições vencedoras cerca de uma vez e meia mais vezes do que as perdedoras.
Buffett diferencia paciência baseada em tese de investimento sólida de inação motivada por evitar admitir um erro. Ele explicou que os ativos vendidos por investidores que lucraram acabaram superando os que permaneceram por uma margem de 3,4 pontos percentuais no ano seguinte.

