O candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, apresentou dados precisos sobre sua gestão como governador de Goiás, mas cometeu erros ao citar indicadores nacionais durante sabatina realizada nesta segunda-feira (31). A apuração identificou equívocos em três declarações sobre investimentos em infraestrutura, cortes orçamentários na saúde e segurança pública.
Caiado afirmou que o Brasil investe 0,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em infraestrutura ou políticas públicas. No entanto, levantamentos da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indicam que a média anual de investimentos no setor gira em torno de 2% do PIB, com estimativas gerais variando entre 2% e 2,3%.
Sobre a saúde, o candidato declarou que o governo federal cortaria entre R$ 16 bilhões e R$ 18 bilhões da pasta para o próximo ano. Estimativas orçamentárias apontam que o impacto, na verdade, varia entre R$ 8 bilhões e R$ 16 bilhões, valor que engloba, conjuntamente, os recursos destinados à saúde e à educação.
Um terceiro erro ocorreu ao descrever a segurança em Goiás antes de 2019. Caiado disse que o Estado possuía as quatro cidades mais violentas do Brasil. A apuração indica que Goiás tinha quatro municípios entre os 30 mais violentos do país: Novo Gama, Luziânia, Senador Canedo e Trindade.
Em contrapartida, o candidato acertou números da administração estadual. Ele citou a aprovação de 88% do governo, medida pela pesquisa Genial/Quaest, e o saldo de R$ 9,8 bilhões deixados em caixa para seu sucessor. A informação de que Goiás era o quarto estado com pior situação fiscal em 2019 também possui respaldo nos indicadores da época.
Caiado informou ainda que sua gestão retirou mais de 602 mil famílias da pobreza e extrema pobreza em Goiás, dado que condiz com as medições do governo estadual. O candidato também afirmou que o Estado encerrou 2025 com mais de quatro anos sem roubos a bancos, sendo o último caso registrado em setembro de 2021.
Durante a entrevista, que abriu a série de sabatinas com candidatos à Presidência para as eleições de 2026, Caiado utilizou os indicadores de Goiás para argumentar que as políticas estaduais poderiam ser reproduzidas no governo federal.

