O calor extremo registrado na Europa nos últimos dois meses causa prejuízos econômicos estimados em centenas de bilhões de euros. A seca e as altas temperaturas, intensificadas pelo aquecimento global, impactam a geração de energia, o transporte fluvial e a produção agrícola na região.
Os meses de junho e julho registraram as temperaturas mais altas da Europa Ocidental, com média de 21,62 °C, conforme informou o Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, da União Europeia. O valor ficou 2,79 °C acima da média de junho de 1991 a 2020. A presença de múltiplos eventos climáticos extremos é um fator de preocupação econômica, segundo a economista Sehrish Usman, da Universidade de Mannheim.
A navegação nos rios Reno e Danúbio enfrenta limitações severas devido ao baixo nível das águas. O banco ING estimou que a paralisação do transporte no Reno reduziria o Produto Interno Bruto (PIB) da Alemanha, a terceira maior economia mundial, em 0,3 ponto percentual neste ano. Além disso, as estimativas agrícolas foram revisadas para baixo, com perdas de 6% a 7% em culturas como milho e girassol em julho.
O calor intenso também pressiona a saúde pública; apenas a Alemanha registrou mais de 10 mil mortes ligadas às altas temperaturas. A seguradora alemã Allianz calcula que a onda de calor de junho reduziria o PIB da Europa em 0,3 ponto percentual. As mudanças climáticas devem cortar de 5% a 7% o crescimento econômico até 2030 nas nações mais expostas, como Espanha, França e Itália.
O sul da Europa pode sofrer os maiores impactos, devido à intensidade dos picos de temperatura, o que reduz receitas do turismo e agrava perdas agrícolas. Especialistas alertam que os custos de respostas emergenciais e adaptação pressionam os orçamentos públicos, elevando o risco de endividamento em países como França e Itália.


