A caravana de mulheres planejada pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para percorrer o país e atrair o eleitorado feminino não foi iniciada, um mês após a data prevista. A iniciativa, que deveria ter começado em 25 de julho, está em “stand-by”, gerando preocupação entre aliadas sobre a perda de foco na busca por esse segmento de eleitores.
O projeto previa que Fernanda Bolsonaro, a ex-presidente da Caixa Daniella Marques e a deputada Simone Marquetto (PP-SP) viajassem juntas com o candidato e, posteriormente, seguissem roteiros individuais. O objetivo era apresentar o programa Brasil por Elas, com propostas como o fim de filas em creches, benefícios para mães sem vaga escolar, ampliação de cuidados a idosos e incentivo ao empreendedorismo feminino. A campanha de Flávio não se manifestou sobre o adiamento.
Nos bastidores, a paralisação é atribuída ao fato de Daniella Marques estar concentrada na revisão do plano de governo entregue ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Com a chegada de novos nomes à equipe econômica, a campanha revisa a execução de promessas. Simone Marquetto relatou a interlocutores que sua participação atual se limita a agendas públicas divulgadas nas redes sociais, sem informações sobre a caravana.
O marqueteiro Duda Lima, recém-chegado à equipe, afirmou que o estilo de Jair Bolsonaro provoca resistência entre as mulheres. Segundo ele, a estrutura militar e o modo duro de falar geram repulsão, classificando a aproximação com esse público como um desafio de comunicação. Lima avaliou que o presidente Lula possui maior conexão emocional com as eleitoras, enquanto o campo bolsonarista mantém uma relação mais racional.
Dados do TSE de junho indicam que as mulheres representam 52,8% do eleitorado. Pesquisa Quaest de 14 de agosto mostra Lula com 39% das intenções de voto nesse grupo, contra 28% de Flávio no primeiro turno. Em eventual segundo turno, a vantagem petista é de 44% contra 35% do senador.
A estratégia da caravana visava preencher o espaço de Michelle Bolsonaro, que não participa presencialmente de agendas devido aos cuidados com Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar em Brasília. Em julho, Michelle recusou convite para reunião sobre o programa Brasil por Elas, alegando não ter recebido chamado direto de Flávio. Recentemente, o senador tem focado discursos em segurança pública, como a castração química para condenados por estupro e abuso sexual de crianças.


