A escritora Carla Madeira utilizou a experiência pessoal com a filha lésbica para tratar da homofobia em seu quarto romance, “Quando”. Lançado há duas semanas, o livro ocupa atualmente o primeiro lugar na lista de ficção mais vendidos do portal PublishNews.
Em entrevista ao videocast “Conversa vai, conversa vem”, a autora relatou que a notícia sobre a orientação sexual da filha, Ana, a levou a refletir sobre a violência e o conservadorismo do país. Madeira afirmou que, embora convivesse com pessoas gays, a revelação da filha trouxe a preocupação materna com a segurança da jovem.
A escritora orientou a filha a ter estratégia e cuidado ao viajar com a namorada, Isabela, que é médica, devido ao contexto preconceituoso do Brasil. Segundo a autora, a casa da família é um espaço de liberdade para o casal, que mantém um relacionamento longo.
A convivência com as amigas da filha, descritas por Madeira no livro como a “adorável sapataria”, também influenciou a obra. A autora relatou ter ouvido histórias de rejeição e violência familiar vividas por essas jovens, o que transformou o tema em parte de seus afetos.
Madeira explicou que a decisão de escrever sobre homofobia não foi planejada como um tema isolado, mas surgiu por estar imersa nessas vivências. A autora declarou que a imaginação em seus livros trabalha em diálogo com a memória e o inconsciente.


