A pavimentação de uma rua lateral em Ubatuba, SP, utiliza paralelepípedos de granitos oriundos de Bragança Paulista. O geólogo Heraldo Campos explica que o material, que não era o granito ornamental, mas sim sobras, demonstra como a construção civil depende da mineração.
A questão surgiu após constatar que a rua lateral do Sobradão do Porto, um prédio tombado pela Secretaria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN), foi pavimentada com granitos de Bragança Paulista, município a cerca de 250 km de distância. Campos aponta que o material não era destinado à função ornamental, mas sim às sobras do recorte da rocha.
Ele recorda o trabalho da Superintendência do Desenvolvimento do Litoral Paulista (SUDELPA), realizado há cerca de 40 anos, que tratava do ordenamento minerário na região. Segundo o estudo, mineral é toda substância sólida, inorgânica e homogênea encontrada naturalmente na Terra, enquanto rocha é um agregado de minerais.
O especialista sugere que, na época da pavimentação, houve uma mistura de granitos de Bragança Paulista com granitos verdes da Serra do Mar. Campos conclui que Ubatuba reflete o desenvolvimento de civilizações que dependem de materiais provenientes de terras distantes.


