O Grupo Casas Bahia iniciou processo de recuperação judicial no Rio de Janeiro. A empresa possui R$ 17,3 bilhões em passivos, sendo cerca de R$ 16,4 bilhões com credores quirografários. A medida coloca o mercado focado na capacidade da varejista de manter o caixa e os fornecedores.
O processo judicial abrange o Grupo Casas Bahia e outras nove empresas do conglomerado. Antes do pedido de recuperação, a companhia divulgou prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões entre abril e junho. Em bases ajustadas, o prejuízo somou R$ 978 milhões. A receita líquida avançou 1,6%, atingindo R$ 6,97 bilhões, mas o Ebitda ajustado recuou 9,4%, para R$ 518 milhões.
A queda no desempenho da companhia já era visível na B3, onde as ações BHIA3 caíram 78,71% no acumulado do ano. Analistas do Morgan Stanley consideraram o trimestre mais fraco que o previsto. A XP Investimentos também classificou os resultados como fracos, revisando sua recomendação devido à incerteza financeira.
Especialista em Falência e Recuperação de Empresas, Aislan Campos Rocco, afirmou que o caso mostra que grupos podem sofrer ruptura financeira sem falhar na operação. A pressão operacional se mantém, com o Morgan Stanley observando que o aumento das despesas operacionais anulou a forte expansão da margem bruta.
A atenção do mercado migra para o plano de recuperação. Os investidores aguardam a negociação com credores e a capacidade da empresa de manter o abastecimento. A recuperação judicial é vista como etapa necessária, mas insuficiente para resolver os problemas operacionais da varejista.


