O grupo Casas Bahia demitiu cerca de 3.000 colaboradores e fechou aproximadamente 300 lojas em agosto de 2026. A ação faz parte de um pedido de recuperação judicial protocolado na Justiça de São Paulo, visando renegociar dívidas totalizando R$ 17,3 bilhões.
A empresa declarou dever R$ 754 milhões em direitos trabalhistas, gerando incerteza entre os desligados. A crise atual reflete um processo de encolhimento iniciado anos antes, quando em 2023 o grupo já havia demitido cerca de 8.600 trabalhadores e fechado 55 lojas.
César Bergo, professor de mercado financeiro da Universidade de Brasília, aponta a taxa de juros (Selic) elevada, em 15% ao ano, como fator agravante. Segundo Bergo, juros altos encarecem produtos financiados e elevam o custo do capital de giro das empresas.
A recuperação judicial, explica o economista, permite que a empresa ganhe tempo para ajustar sua estrutura, o que inclui o fechamento de unidades e cortes de pessoal. O patrimônio líquido da Casas Bahia está negativo em R$ 8,1 bilhões.
Lorena Paiva, advogada trabalhista, esclarece que demissões sem aviso prévio obrigam a indenização do direito violado. Ela também afirma que, conforme o Tema 638 do Supremo Tribunal Federal, dispensas em massa exigem intervenção sindical prévia.

