A Casas Bahia solicitou recuperação judicial neste domingo, alegando enfrentar a pior crise financeira desde sua fundação. A varejista acumula dívidas de R$ 17,3 bilhões e engloba nove empresas no pedido, conforme informou o documento protocolado na Justiça.
O grupo justifica o cenário complexo pelo aumento da taxa Selic a partir de 2021, fator que impactou severamente a operação, estruturalmente dependente do crediário. Os carnês, presentes desde a década de 1950, respondem por 15,9% das vendas totais da companhia.
A empresa também apontou a inflação, que reduziu o poder de compra das famílias, e o aumento da concorrência de plataformas internacionais. Em 2023, a companhia já havia implementado um plano de reestruturação, que incluiu o fechamento de 55 lojas e demissão de 8,6 mil funcionários.
O pedido judicial ocorre após o balanço do segundo trimestre, que registrou prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões entre abril e junho. Esse resultado é 18 vezes maior que o prejuízo de R$ 555 milhões apurado no mesmo período de 2025. A auditoria EY apontou, ainda, uma “incerteza relevante relacionada com a continuidade operacional” da companhia.


