A Casas Bahia solicitou recuperação judicial em 17 de agosto, apesar de faturar R$ 6,97 bilhões no segundo trimestre, um aumento de 1,6% em relação ao ano anterior. A empresa registrou R$ 17,3 bilhões em dívidas e um prejuízo de R$ 10,1 bilhões no período.
O quadro financeiro da varejista mostra patrimônio líquido negativo, indicando que a empresa deve mais do que possui. Cerca de R$ 9,1 bilhões dessa perda decorreram de eventos não recorrentes, como custos de reestruturação e baixas de ativos. O cenário de consumo pressionado afeta o setor, conforme relatório do Goldman Sachs, que descreve um ambiente fraco na América Latina.
A análise dos balanços do segundo trimestre revela variações na saúde financeira das outras empresas. Enquanto Lojas Renner cortou a projeção de crescimento de receita para 2026, o Assaí registrou vendas em lojas existentes negativas em 0,5%. O Grupo SBF, dono da Centauro, foi uma exceção, com receita 22% maior devido ao torneio de futebol.
Três indicadores definem a saúde do varejo. O primeiro avalia o endividamento líquido dividido pelo EBITDA. Nesse quesito, Magazine Luiza lidera com 5,7 vezes, segundo o cálculo do Goldman Sachs, enquanto Vivara opera em 0,2 vez. Outro ponto é o fluxo de caixa livre; o Assaí gerou R$ 860 milhões no trimestre, enquanto o Grupo Mateus consumiu cerca de R$ 710 milhões.
O terceiro indicador mostra o impacto dos juros sobre o lucro. Esse mecanismo explica o caso da Casas Bahia. O Magazine Luiza, por exemplo, fechou junho no prejuízo, apesar de um EBITDA ajustado de R$ 709 milhões, devido a despesas financeiras 16% maiores. Lojas Renner, Petz Cobasi, C&A e Vivara apresentam os perfis mais confortáveis, com baixo endividamento ou caixa líquido.


