A visita da cientista Marie Curie a Belo Horizonte, que completa cem anos neste domingo, marcou um momento crucial para a ciência e a medicina de Minas Gerais. A física e química, vencedora do Prêmio Nobel em duas áreas, focou seu trabalho no Instituto do Radium, centro pioneiro de oncologia do país.
O Instituto do Radium foi fundado em mil novecentos e vinte e dois para ser o primeiro centro dedicado ao combate do câncer no Brasil. Segundo o Centro de Memória da Faculdade de Medicina da UFMG, a ideia foi proposta pelo professor Eduardo Borges da Costa ao então presidente da República, Arthur Bernardes. A estrutura, localizada nos fundos do Parque Municipal, possuía cento e vinte leitos e laboratórios especializados em radiologia e química biológica.
Em dezessete de agosto de mil novecentos e vinte e seis, Marie Curie e sua filha Irène visitaram as instalações. A cientista doou duas agulhas de rádio ao instituto. Esse gesto viabilizou o início imediato dos tratamentos de Curieterapia na capital mineira, situando Belo Horizonte como um polo de tratamento de tumores no Brasil.
Além de validar o trabalho médico local, a cientista proferiu uma palestra na Faculdade de Medicina da UFMG. O escritor Pedro Nava, presente na plateia, registrou o contraste entre a expectativa social e a modéstia da cientista, que se apresentava com vestimentas simples e mãos marcadas pelo trabalho químico.
Atualmente, a UFMG realiza projeto de reforma para transformar o prédio histórico do Instituto do Radium em um hospital oncológico moderno. O local, que foi desativado em mil novecentos e setenta e sete, está em processo de restauração para manter seu legado científico.

