O CEO da IBM, Arvind Krishna, questionou a sustentabilidade do atual ritmo de investimento em infraestrutura de Inteligência Artificial. Ele argumenta que o custo de construção de data centers de IA exige uma receita adicional que o mercado não está precificando, apesar dos gastos bilionários das grandes empresas de tecnologia.
Krishna baseia sua análise no custo de energia e semicondutores. Ele estima que um gigawatt custa entre US$ 60 bilhões e US$ 80 bilhões em componentes. Com um compromisso global de cerca de 100 gigawatts de construção de IA, o custo total seria de US$ 6 trilhões a US$ 8 trilhões. Para justificar esse investimento em um prazo de cinco a sete anos, Krishna calculou que seria necessária uma receita anual incremental de US$ 1 trilhão a US$ 2 trilhões, mesmo considerando margens altas de 20% a 30% em serviços de IA.
O executivo também previu que os modelos de IA se tornarão commodities, com baixa barreira de troca entre clientes. Embora o mercado precifique a sobrevivência de seis a doze empresas grandes, Krishna acredita que apenas duas ou três conseguirão se manter a longo prazo. Ele afirmou que o sucesso dependerá da distribuição, favorecendo empresas com presença de consumidor já estabelecida.
A IBM, empresa de Krishna, opera com um P/L de 21 e um P/L futuro de 18, o que representa um desconto em relação a concorrentes focados em gastos de capital. A companhia foca em consultoria e software empresarial, alinhando sua estratégia à tese de que a cautela corporativa pode limitar o domínio de grandes provedores de nuvem.

