O Brasil possui 2,4 milhões de pessoas com diagnóstico de autismo, segundo o Censo do IBGE de 2022. A ausência de regulamentação formal na Análise do Comportamento Aplicada fez com que certificações de órgãos internacionais assumissem o papel de parâmetro de qualidade para os profissionais.
A demanda por atendimentos baseados em Análise do Comportamento Aplicada cresceu. Por isso, a busca por profissionais qualificados aumentou. Certificações emitidas por órgãos estrangeiros cumprem essa função ao exigir um processo rigoroso de obtenção, estabelecendo um padrão reconhecível globalmente.
A Associação Nacional de Profissionais Analistas do Comportamento (ANPAC), criada em 2023, adota essas certificações como critério para classificar seus associados. Paralelamente, surgiram iniciativas nacionais, como a Certificação ABA Brasileira (CABA-BR), proposta pela Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental (ABPMC) e operada pelo Grupo IBES.
Mylena Lima, doutora em Saúde e Desenvolvimento pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e ex-vice-presidente da ANPAC, afirmou que a certificação é o instrumento mais importante para demonstrar competências mínimas. Ela também destacou a necessidade de avançar na formação profissional até que instituições brasileiras reconheçam o trabalho e criem políticas públicas.
O QABA, um órgão certificador norte-americano, avalia analistas com critérios internacionais. A conquista de credenciais como QASP-S ou QBA exige formação específica, horas de prática supervisionada, aprovação em exame e adesão a um código de ética. A ABAEDU, instituto da Faculdade Península, notou um aumento expressivo, dobrando o número de certificados QABA no país entre 2024 e 2026.

