O Chile adiou a obrigatoriedade de relatórios de sustentabilidade baseados nos padrões IFRS S1 e S2. A Comisión para el Mercado Financiero (CMF) estabeleceu a nova data para 2028, o que interrompe uma trajetória de transparência ESG consolidada na região.
A decisão chilena ocorre em um contexto de perda de dinamismo do mercado após a pandemia e o estallido social de 2019, que causaram fuga de capitais. A redução da liquidez desestimulou novas aberturas de capital e diminuiu o número de emissores, conforme apontou o Ministério da Fazenda do país.
Movimentos semelhantes ocorrem em outras jurisdições. No Brasil, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) flexibilizou seu cronograma com a Resolução CVM 244. Na União Europeia (UE), a Diretiva de Reporte Corporativo de Sustentabilidade (CSRD) também foi postergada por meio do pacote Omnibus, anunciado no início de 2025.
Especialistas apontam que o fator principal para os adiamentos é o aumento do custo regulatório. Persistem dúvidas sobre como produzir e assegurar o grande volume de informações exigidas. A Abrasca defendeu junto à CVM que a adoção dos padrões IFRS S1 e S2 permanecesse voluntária no Brasil.
O encolhimento do mercado chileno também é visível: o número de empresas listadas caiu de 239 em 2019 para 236 atualmente. No Brasil, a retração é maior, com o número de companhias listadas caindo de 398 em 2021 para 342. O desafio, segundo o setor, é equilibrar a transparência com a capacidade do mercado de financiar o crescimento.

