A expansão chinesa na América Latina ocorre de forma sutil, focada em infraestrutura básica e tecnologia, em vez de grandes projetos diplomáticos. A estratégia prioriza negociações locais com prefeitos e governadores, construindo dependência sistêmica nos serviços públicos.
A abordagem chinesa foca em áreas como fornecimento de ônibus elétricos, gestão de redes de energia e manutenção de trens. Cada contrato parece simples, mas o efeito acumulado reduz a margem de manobra política dos estados, segundo o Instituto Monitor da Democracia.
Essa presença física serve de base para a Rota da Seda Digital, que não constrói apenas concreto. Empresas chinesas fornecem modernização em prefeituras, implementando redes 5G e migrando dados para a nuvem. Isso transfere soberania local para uma arquitetura tecnológica mantida por Pequim.
O sistema de “Cidades Seguras” permite o uso de inteligência artificial para mapear tráfego e identificar rostos em tempo real. Esse acervo de dados biométricos pode ser acessado diretamente por Pequim, devido à Lei de Inteligência Nacional da China, expondo os dados colhidos na região.
O caso da empresa Hikvision no Rio de Janeiro exemplifica a dinâmica. O estado firmou contratos de reconhecimento facial sob o pretexto de segurança, mesmo diante de denúncias de opacidade e superfaturamento, aprofundando a parceria com a empresa.


