A China é a origem de 99% dos painéis solares importados pelo Brasil, segundo dados da Agência Internacional de Energia (AIE). A dependência se estende a 95% das células solares e 62% dos kits completos de geradores fotovoltaicos, atendendo empresas que montam painéis ou revendem sistemas no mercado doméstico.
A hegemonia chinesa começa na base da cadeia, com o controle de 86% da produção global de polissilício. O país asiático também concentra 97% da fabricação de wafers, 84% das células e 78% dos módulos. Atualmente, oito das dez maiores fabricantes mundiais de módulos são chinesas, com exceção de empresas do Canadá e dos Estados Unidos.
No Brasil, a energia solar representa 8% da capacidade instalada de geração em grandes usinas, conforme dados do Operador Nacional do Sistema (ONS). Já a micro e a minigeração distribuída, somadas à eólica de pequeno porte, respondem por 21% da matriz elétrica nacional.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tentou induzir a produção nacional ao condicionar créditos à incorporação de componentes brasileiros. No entanto, a estratégia perdeu força com a redução de leilões federais e o avanço do mercado livre, onde o baixo preço dos equipamentos importados prevalece sobre a origem do produto.
Em 2017, o BNDES retirou a exigência de fabricação nacional de células solares e, em 2020, permitiu o financiamento de sistemas com módulos importados que utilizem componentes periféricos brasileiros, como cabos e estruturas metálicas.
O CEO da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), Sauaia, informou que existem apenas dois fabricantes nacionais de módulos, que atendem entre 2% e 3% da demanda. Ele afirmou que o fortalecimento do setor depende de demanda, crédito e política industrial, sugerindo juros menores e prazos maiores para fabricantes locais.
A Absolar rejeita o aumento de impostos de importação para proteger a indústria interna. Sauaia declarou que medidas protecionistas oneram o consumidor e elevam o preço da energia solar sem garantir que a indústria brasileira se torne competitiva.


