O crescimento das exportações brasileiras para a China reforça a importância do parceiro asiático para a balança comercial do país. Contudo, o diretor de Pesquisa do Conselho Empresarial Brasil-China, Tulio Cariello, afirmou que a dependência desse mercado exige cautela, pois não há compensação natural pelas perdas no mercado americano.
Cariello explicou que a pauta de vendas para a China concentra-se em commodities, como produtos do agronegócio e minerais. Em contraste, as exportações destinadas aos Estados Unidos apresentam um perfil mais diversificado, incluindo itens da indústria de transformação com maior valor agregado. Essa diferença limita a capacidade do mercado chinês de absorver produtos brasileiros que deixem de ser vendidos aos americanos.
Segundo o especialista, quase metade do superávit comercial brasileiro com o mundo provém da relação com a China, uma situação rara. Apesar desse cenário, ele defende que o Brasil amplie sua presença em outros mercados. Ele citou o Sudeste Asiático, especialmente os membros da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), como alternativa, visto que essas economias crescem e demandam alimentos e matérias-primas.
A diversificação deve ocorrer também na indústria. Cariello mencionou que o Mercosul permanece estratégico para produtos manufaturados, como o automotivo. Ele concluiu que diversificar mercados é fundamental para reduzir riscos e fortalecer o comércio exterior no longo prazo.


