A China solicitou formalmente participar das consultas na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra tarifas de até 37,5% impostas pelos Estados Unidos ao Brasil. O pedido ocorre após o governo Lula acionar a OMC no final de julho, contestando sobretaxas americanas baseadas em investigações de práticas comerciais e suposto uso de trabalho forçado.
A delegação chinesa protocolou um documento na OMC afirmando ter “interesse comercial substancial nessas consultas”. Segundo o documento, as medidas americanas “afetam todas as exportações da China para os Estados Unidos, ressalvadas as isenções especificadas, e, em particular, as condições de concorrência dos produtos originários da China vendidos no mercado dos Estados Unidos, em decorrência das tarifas adicionais impostas”.
O Brasil contestou as tarifas, que incluem uma sobretaxa de 25% por práticas comerciais consideradas desleais e uma tarifa de 12,5% por apuração sobre supostas falhas no combate à importação de produtos feitos com trabalho forçado. O pedido de consultas é a primeira etapa do processo na OMC, visando obter informações e solicitar modificações nas medidas.
As regras da OMC exigem que os países envolvidos autorizem a participação de um terceiro membro. Embora haja baixas expectativas de resultados práticos devido à crise bilateral entre Washington e Brasília, a resposta afirmativa das autoridades americanas foi vista como um ponto positivo.

