Cidades e pesquisadores buscam métodos para salvar árvores urbanas e selecionar espécies resistentes diante da frequência de eventos climáticos extremos. A preservação de exemplares maduros é prioritária, já que seriam necessárias 400 mudas para substituir os benefícios ambientais de uma única árvore antiga com copa de 20 metros de circunferência.
A vegetação urbana atua como sistema de refrigeração natural, reduzindo a temperatura sob as copas em até 3 °C em comparação às áreas vizinhas. O processo ocorre via proteção solar e evapotranspiração. Estudos relacionam a cobertura arbórea a menores taxas de doenças cardiovasculares, melhores notas de alunos no ensino médio e resultados favoráveis para recém-nascidos cujas mães foram expostas a áreas verdes durante a gravidez.
Para sobreviver, árvores saudáveis demandam entre 10 e 15 litros de água diariamente, volume que pode ser quatro vezes maior em exemplares maduros. Henrik Sjoman, pesquisador da Universidade Sueca de Ciências Agrárias, explicou que muitas árvores levam de 40 a 50 anos após o plantio para oferecer a totalidade de seus benefícios.
A técnica de rega recomendada consiste em aplicar grandes volumes de água em curto período para atingir camadas profundas do solo. Em terrenos compactados por calçadas, Nina Bassuk, diretora do Instituto de Horticultura Urbana da Universidade Cornell, desenvolveu há 30 anos uma mistura de terra e cascalho com granulometria específica para permitir a expansão das raízes.
O planejamento florestal urbano agora prioriza a diversidade para evitar a devastação por pragas, como ocorreu com a doença do olmo-holandês no século 20. A regra 10-20-30, criada pelo geneticista Frank Santamour, orienta que florestas urbanas não tenham mais de 10% de uma mesma espécie, 20% de um único gênero ou 30% de uma mesma família botânica.
Na Alemanha, o governo realiza testes com 45 espécies em 220 locais para avaliar o desempenho das plantas. O país também utiliza o banco de dados Citree, que classifica quase 400 espécies de plantas lenhosas com base em critérios como densidade da folhagem, cor dos frutos e potencial alergênico.


