Pesquisadores liderados pela Universidade de Oxford identificaram a existência de uma zona saturada de fluidos a aproximadamente dois ou três quilômetros abaixo da superfície do vulcão Soufrière Hills, na ilha de Montserrat. A descoberta, detalhada em estudo publicado nesta terça-feira (19), indica a presença de salmouras magmáticas que podem transportar altas concentrações de metais.
O trabalho foi coordenado por Petros Bogiatzis, do Departamento de Ciências da Terra da Universidade de Oxford, e envolveu diversas instituições. Os especialistas utilizaram a técnica de tomografia sísmica para reconstruir o interior do vulcão, analisando a propagação de ondas terrestres em vez de realizar perfurações físicas.
A equipe processou 1.039 eventos sísmicos registrados entre 1996 e 2007 pelo Observatório Vulcanológico de Montserrat. Foram analisadas 7.112 chegadas de ondas P e 1.376 de ondas S para distinguir as propriedades do subsolo em três dimensões e localizar o reservatório subvulcânico.
Essas salmouras se formam quando fluidos liberados pelo magma evoluem sob condições específicas de pressão e temperatura. Devido à alta salinidade, esses fluidos conseguem transportar elementos das profundezas para as zonas superiores do sistema vulcânico.
O interesse econômico reside no fato de que metais críticos são matérias-primas para a fabricação de baterias, veículos elétricos, painéis solares e componentes eletrônicos. O cobre e o lítio são citados como exemplos de elementos essenciais para a eletrificação e a transição energética.
Apesar da detecção, os pesquisadores informaram que ainda não determinaram quais metais específicos estão contidos no reservatório do Soufrière Hills. Também não foi avaliada a viabilidade econômica de uma eventual extração desses recursos.


