Cinco grandes redes de varejo no Brasil reduziram em mais de 1.100 o número de lojas físicas desde o fim de 2022, segundo levantamento da Broadcast. O movimento envolve as companhias Casas Bahia, Americanas, Carrefour, Marisa e Magazine Luiza, que buscam ajustar estruturas diante do crescimento dos canais digitais e de marketplaces.
A Casas Bahia registrou a maior redução do grupo. A rede possuía 1.133 unidades no fim de 2022 e chegou a junho de 2026 com 1.034. Em agosto, a empresa anunciou o fechamento de outras 298 lojas como parte de uma reestruturação. O presidente da companhia, Renato Franklin, afirmou que não prevê a retomada do crescimento nos próximos dois anos, enquanto a empresa lida com R$ 17,3 bilhões em dívidas em recuperação judicial.
A Americanas fechou 333 unidades entre o fim de 2022 e dezembro de 2025, passando de 1.803 para 1.470 lojas após a crise contábil de janeiro de 2023. No Carrefour, a redução foi de 203 unidades no mesmo período, resultado da integração do Grupo BIG, com 123 lojas encerradas definitivamente. A Marisa reduziu sua rede de 334 para 230 lojas até o fim de 2025, incluindo o fechamento de uma vitrine na Avenida Paulista.
O Magazine Luiza registrou a queda de 93 unidades entre o fim de 2022 e junho de 2026, totalizando 1.246 lojas. A empresa, porém, anunciou a retomada da expansão a partir do segundo semestre deste ano. No segundo trimestre de 2026, as vendas físicas da rede cresceram 10,3%, enquanto o e-commerce recuou 11,9%.
As vendas online no Brasil movimentaram R$ 423 bilhões em 2025, alta de 21%, representando 14,4% do varejo total, segundo o UBS BB. O Mercado Livre lidera o setor com 43% de participação, seguido por Shopee (18%), Amazon (11%) e Magazine Luiza (10%). A projeção do UBS BB é que o comércio eletrônico atinja R$ 518 bilhões este ano.
Para a CEO da AGR Consultores, Ana Paula Tozzi, o digital expôs fragilidades de cadeias que já possuíam problemas. Segundo a especialista, o fechamento de unidades deficitárias é uma medida de eficiência, mas não resolve dívidas excessivas ou problemas no modelo de negócio. Enquanto as redes de eletrodomésticos e departamentos encolhem, empresas de atacarejo como Assaí e Grupo Mateus expandiram suas redes desde 2022.


