O primeiro-ministro de Cingapura, Lawrence Wong, anunciou nesta sexta-feira (28) um pacote de benefícios que pode somar US$ 55 mil (cerca de R$ 283,6 mil) por criança até os 17 anos. A iniciativa busca conter a queda da natalidade e reduzir os custos de criação dos filhos no país.
O plano prevê um pagamento de aproximadamente 7,8 mil dólares por nascimento, além de subsídios para cuidados infantis, ampliação de licenças parentais e novos auxílios distribuídos durante a infância. Famílias com filhos ou que aguardam bebês terão prioridade no acesso a moradias públicas subsidiadas, com a criação de um sistema de “bilhetes” onde cada criança soma uma chance a mais na distribuição.
A medida ocorre após Cingapura registrar, no ano passado, a menor taxa de fecundidade de sua história: 0,87 filho por mulher, número inferior aos 0,97 registrados em 2024. O índice está distante dos 2,1 filhos necessários para manter a estabilidade populacional sem a dependência de imigrantes.
Lawrence Wong admitiu que o incentivo financeiro pode não ser suficiente para alterar a decisão de ter filhos, citando barreiras como pressões profissionais e educacionais. Uma pesquisa da YouGov indicou que quase um terço dos cidadãos entre 18 e 44 anos acredita que nenhuma política governamental os levaria a ter filhos.
O governo também projeta que, até 2030, um em cada quatro cingapurianos terá 65 anos ou mais. A ONU classifica como “superenvelhecida” a sociedade onde mais de 21% da população pertence a essa faixa etária, o que aumenta a pressão sobre a economia e reduz a população em idade ativa.
Para compensar o crescimento lento, Wong afirmou que o país manterá a recepção de imigrantes em ritmo moderado. Segundo o primeiro-ministro, a imigração é necessária para evitar que a população de cidadãos diminua e que o envelhecimento do país seja acelerado.


