A instabilidade climática, impulsionada por fenômenos como o El Niño, ameaça o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil ao impactar diretamente o agronegócio, o setor elétrico e o mercado financeiro. Segundo Paulo Artaxo, professor da Universidade de São Paulo (USP), o modelo econômico global se tornou insustentável no curto prazo.
A elevação da temperatura no território nacional pode atingir entre 3,5 °C e 4 °C, afetando a produtividade agrícola. A desregulamentação do regime de chuvas compromete a agricultura no Brasil Central, dependente da umidade amazônica. Artaxo explica que o aumento do desmatamento ilegal altera esse fluxo hídrico, gerando prejuízos aos produtores rurais e expondo exportações a exigências internacionais de rastreabilidade socioambiental.
As perdas causadas por secas e inundações históricas forçam seguradoras e instituições bancárias a recalcular o custo do crédito e a concessão de apólices rurais. O especialista afirmou que “o agronegócio já está sofrendo perdas bilionárias e o setor de seguros está reavaliando a cobertura de riscos climáticos.”
Além dos danos, a transição para fontes renováveis apresenta viabilidade financeira. A geração de energia solar e eólica opera com custos inferiores aos da energia fóssil, permitindo ao Brasil consolidar uma matriz elétrica competitiva. O mercado financeiro, por sua vez, redireciona capital para projetos sustentáveis, visto o risco de desvalorização em ativos ligados a atividades intensivas em carbono.


