Os Estados Unidos impulsionam a Coalizão contra os Cartéis das Américas (A3C) com uma reunião no Panamá, onde a Colômbia aderiu ao grupo. A aliança, que soma dezenove nações, visa desmantelar redes de narcotráfico, mas exclui Brasil e México.
O secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, afirmou que o apoio do recém-empossado presidente colombiano, Abelardo de la Espriella, autoriza operações militares conjuntas contra redes terroristas. A A3C conta com a participação de países como Argentina, Chile e Peru. Washington classificou grupos criminosos como PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, um rótulo rejeitado pelo governo brasileiro.
Especialistas apontam desafios na implementação da coalizão. Pedro Yaranga, professor de ciência política peruano, defende a criação de bases de dados compartilhadas e centros de inteligência para rastrear fluxos financeiros. Ele alerta que a iniciativa pode ficar restrita a declarações políticas se não houver integração operacional real.
A ausência do México é vista como um fator limitante, pois redes mexicanas são atores centrais nas rotas de drogas para os Estados Unidos, segundo Victoria Dittmar, pesquisadora da InSight Crime. Dittmar acrescenta que a estratégia não seria eficaz sem alguma colaboração com o país.
O Brasil, outra nação ausente, possui rotas estratégicas para a cocaína, ligando áreas andinas aos portos do sul. Apesar da divergência de visões sobre o rótulo de terrorismo, o Brasil firmou acordo de cooperação com os EUA focado na troca de inteligência, sem previsão de intervenção doméstica.


