Uma coleção de mais de mil variedades de tomates, iniciada há cerca de 25 anos na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), passou a gerar renda para agricultores familiares e atrair chefs de cozinha. O acervo, que possui frutos de diversas cores e texturas, é um exemplo da diversidade agrícola do país.
O projeto começou quando o professor Antônio Carlos de Souza Abboud, agrônomo especializado em ciência do solo, recebeu sementes da França. O que era um hobby cresceu com doações e trocas, sendo usado em aulas e eventos de extensão rural. A coleção, que hoje inclui tomates históricos de países como Itália, França e Espanha, chamou a atenção da gastronomia. A primeira degustação ligada ao setor ocorreu em 2016, estabelecendo uma rede entre universidade, agricultores e restaurantes.
A diversidade é a característica central do acervo. Segundo Abboud, os frutos apresentam nuances de sabor, como doce, azedo, frutado, e texturas variadas, incluindo crocante e macia. Essa variedade atraiu o chef Elia Schramm, do Babbo Osteria, que declarou que a coleção representa a “quintessência do tomate”. Schramm prefere trabalhar com a complementaridade dos diferentes tipos em seus pratos.
Agricultores parceiros, como a produtora Isabel Yamaguchi, cultivam variedades históricas em sistema orgânico. Enquanto o tomate convencional rende R$ 4,91 por quilo na capital fluminense, as variedades históricas podem ser vendidas por até R$ 35 o quilo em restaurantes. Abboud explica que a oferta é pequena devido ao conhecimento específico e aos custos mais altos de cultivo.

