Dois estudos realizados no IB-Unicamp indicam um caminho promissor para tratar lesões graves do sistema nervoso. Em experimentos com animais, combinações de medicamentos melhoraram a recuperação funcional, controlaram a inflamação e auxiliaram na reparação do tecido afetado.
Os trabalhos, com apoio da Fapesp, reforçam que a recuperação de lesões nervosas exige mais que apenas reconexão. É preciso proteger neurônios e gerenciar a inflamação durante o processo de regeneração. Lesões nas raízes nervosas, causadas por traumas ou hérnia de disco, podem comprometer a comunicação entre o sistema nervoso e os músculos.
Em uma pesquisa, o grupo avaliou duas combinações de fármacos em camundongos com lesão por esmagamento. A combinação NB, que usa Tempol e dimetilfumarato, reduziu a reatividade de células de suporte do sistema nervoso e melhorou a sobrevivência neuronal após 14 dias. Já a combinação NH aumentou a sobrevivência a partir do sétimo dia e diminuiu a astrogliose.
Outro estudo testou em ratos a fusão de axônios rompidos com o antioxidante Tempol. Esse procedimento resultou em recuperação motora e sensorial superior à cirurgia convencional. Alexandre Leite Rodrigues de Oliveira, coordenador do Laboratório de Regeneração Nervosa do IB-Unicamp, afirmou que a técnica mitigou a degeneração Walleriana em cerca de 50% dos casos.
Oliveira considera promissora a reposição de fármacos, visto que muitos já foram aprovados em outros contextos clínicos. Os estudos buscam, portanto, uma abordagem multimodal para o reparo nervoso, unindo cirurgia e suporte mecânico.


