O comércio do Centro de Niterói enfrenta o fechamento de estabelecimentos e redução do movimento em vias importantes da cidade. A situação ocorre em meio a investimentos milionários da prefeitura e ao fenômeno do esvaziamento de grandes centros urbanos.
Na Avenida Amaral Peixoto, dezenas de lojas exibem placas de venda ou aluguel. Em ruas como Marechal Deodoro e Coronel Gomes Machado, comerciantes relatam diminuição da circulação após as dezoito horas. A proprietária de uma banca de jornal, que preferiu não se identificar, disse que o movimento caiu, mas ainda resiste, contando que o Poder Judiciário é seu principal público.
Luiz Vieira, presidente da CDL-Niterói, avalia que o esvaziamento reflete tendência global. Ele aponta que o trabalho remoto pós-pandemia e a digitalização de serviços reduziram a necessidade de deslocamento ao centro. Vieira defende que a revitalização urbanística e incentivos à população podem reverter o quadro, prevendo um comércio híbrido.
A prefeitura investe em projetos para reverter o cenário. A requalificação da Avenida Amaral Peixoto, Rua da Conceição e vias adjacentes prevê um investimento de R$ 78,9 milhões, com conclusão prevista para o segundo semestre de 2027. A administração municipal também busca aumentar a população residente, com meta de chegar a quarenta mil moradores em dez anos.
Além disso, o município mantém o Programa Recomeço, que oferece assistência social, saúde e qualificação profissional para a população em situação de rua. Dados de um levantamento indicam que o bairro Centro respondeu por quinze por cento das transações imobiliárias da cidade em dois mil e vinte e cinco.

