O comprometimento das famílias brasileiras com o pagamento de dívidas alcançou um novo recorde da série histórica em junho, chegando a 28,9% do orçamento, informou o Banco Central nesta sexta-feira (28). O índice subiu a partir dos 28,5% registrados em maio, mesmo com a implementação do programa Desenrola 2.0.
Sem considerar o financiamento imobiliário, o comprometimento de renda subiu de 26,2% para 26,6%. Já o endividamento geral das famílias, que relaciona o total de dívidas à renda, teve queda marginal de 49,9% para 49,8% no período. Excluindo o crédito habitacional, esse percentual recuou de 31,1% para 30,8%.
A inadimplência das famílias também atingiu o maior nível desde março de 2011, saltando de 5,4% em junho para 5,8%. No crédito livre, onde as taxas são pactuadas entre banco e cliente, o índice subiu de 7,4% para 7,8%. No crédito direcionado, a inadimplência de pessoas físicas cresceu de 3,0% para 3,4%.
O cenário impactou a inadimplência geral, que chegou a 4,9% em julho, contra 4,6% no mês anterior. No setor empresarial, houve alta no crédito livre, de 4,0% para 4,2%, e no direcionado, de 2,0% para 2,1%, elevando a inadimplência geral das empresas de 3,2% para 3,3%.
O Banco Central informou que prepara medidas para mitigar o risco de crédito, especialmente devido ao peso de modalidades onerosas nas dívidas. O juro médio no crédito total caiu de 33,3% ao ano em junho para 32,1% em julho, influenciado pela queda da taxa Selic e pelo programa de renegociações.
No crédito livre para pessoas físicas, a taxa média do rotativo do cartão de crédito caiu de 442,4% para 436,2% ao ano. O parcelado do cartão recuou de 191,4% para 189,3%, enquanto o cheque especial baixou de 139,9% para 137,3%. O crédito pessoal sem garantia caiu de 149,5% para 130,1%.
A concessão total de crédito em julho recuou 1,6%, somando R$ 736,8 bilhões. No crédito livre, a queda foi de 1,9%, totalizando R$ 656,1 bilhões, com alta de 6,1% nos desembolsos para famílias (R$ 359,3 bilhões) e queda de 10% para empresas (R$ 296,9 bilhões).


