O congelamento de óvulos deixou de ser restrito a casos médicos para se tornar uma ferramenta de planejamento reprodutivo e social entre mulheres brasileiras. O procedimento, utilizado por figuras públicas como Maju Coutinho e Marina Ruy Barbosa, visa preservar a fertilidade para conciliar a maternidade com a ascensão profissional e a estabilidade financeira.
O ginecologista e especialista em reprodução humana Diego Rezende informou que a demanda atual é impulsionada por questões sociais. Segundo o médico, as pacientes buscam adiar a gravidez de forma estratégica. O cenário ideal para a realização do procedimento é antes dos 35 anos, período em que a quantidade e a qualidade dos óvulos são mais favoráveis.
Antes da coleta, a paciente passa por avaliação da reserva ovariana via ultrassom transvaginal, para contagem de folículos, e exame de sangue para medir o hormônio antimülleriano (AMH). Rezende explicou que, ao serem congelados, os óvulos não envelhecem, combatendo a perda progressiva de qualidade natural do relógio biológico feminino.
O custo do tratamento é uma barreira, pois o procedimento é particular e não possui cobertura de planos de saúde. Os valores iniciais giram entre R$ 10 mil e R$ 12 mil, acrescidos de uma mensalidade para a manutenção do material armazenado por meio da técnica de vitrificação.
O especialista alertou que o congelamento não garante a gravidez. O processo envolve etapas posteriores, como a qualidade do espermatozoide e o desenvolvimento do embrião. Além disso, a literatura médica indica que a perda de óvulos durante o descongelamento pode chegar a 10%.
Para Rezende, a técnica atua como um aliado psicológico para mulheres que enfrentam pressão por não terem sido mães ou que priorizaram projetos pessoais. O médico afirmou que o congelamento não é uma moda passageira, mas parte essencial de um planejamento reprodutivo assertivo.


