O congelamento de óvulos deixou de ser tema exclusivo de clínicas de reprodução assistida. A prática, que permite adiar a maternidade, ganha visibilidade com relatos de figuras públicas. O procedimento visa preservar o potencial de gravidez para um momento futuro.
O especialista em reprodução humana, Rodrigo Rosa, afirma que a procura pelo procedimento acompanha mudanças na trajetória feminina. A maternidade pode ser adiada por motivos profissionais, financeiros ou pessoais. Rosa explica que a normalização do tema por pessoas públicas ajuda a diminuir o tabu e incentiva a busca por informação.
A criopreservação consiste na retirada de células dos ovários após estimulação hormonal e seu armazenamento em nitrogênio líquido a -196°C. Quando a mulher decide utilizar o material, os óvulos são descongelados e podem ser fertilizados em laboratório por meio de fertilização in vitro. A técnica também é indicada por razões médicas, como tratamentos contra o câncer.
A idade é um fator crucial, pois a quantidade e a qualidade dos óvulos diminuem com o tempo. Rosa conta que quanto mais jovem a mulher realizar o congelamento, maior a chance de os óvulos resultarem em gestação. Contudo, sociedades médicas alertam que não há idade única que determine a realização do procedimento.
Rosa adverte que o congelamento não garante a gravidez futura. O procedimento preserva as células no momento da coleta, mas a mulher continua envelhecendo. As chances dependem da idade na coleta e da quantidade de células armazenadas, e não há garantia de sucesso no descongelamento e fertilização.

