O congelamento de tecido ovariano oferece uma alternativa para preservar a fertilidade em mulheres com câncer ou histórico de menopausa precoce. O procedimento retira, congela e devolve ao corpo fragmentos do ovário, permitindo a produção de óvulos posteriormente.
A técnica, cujas bases foram estabelecidas nos anos 1990, difere do congelamento de óvulos, pois o material retirado é o tecido, e não o óvulo maduro. Especialistas indicam o procedimento para quem não tem tempo hábil para coleta de óvulos devido ao início precoce da quimioterapia. Para crianças com câncer que ainda não menstruaram, a criopreservação do tecido é a única opção citada para manter a fertilidade.
O processo envolve a retirada de fragmentos do ovário durante uma cirurgia, que pode ser realizada por videolaparoscopia, laparotomia ou cesárea. Em laboratório, o tecido é vitrificado em fragmentos pequenos. Após o reimplante, o tecido se revasculariza e pode voltar a produzir óvulos, um processo que, segundo estudos, ocorre cerca de 19 semanas após o transplante.
Pesquisas científicas de 2022, que analisaram dados de 568 mulheres, indicaram que a taxa de gravidez atingiu aproximadamente 37% com essa técnica. Além da fertilidade, há expectativa de que o procedimento possa adiar a menopausa em mulheres jovens. Essa possibilidade, contudo, ainda se restringe a simulações matemáticas, sem comprovação clínica em mulheres saudáveis.
No Brasil, a aplicação da técnica ainda é inicial e restrita a poucos centros. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) regulamenta o congelamento de tecidos germinativos. O Conselho Federal de Medicina (CFM) estabeleceu que o uso para adiar a menopausa só pode ocorrer em protocolos de pesquisa aprovados.


