O Congresso brasileiro ganhou mais controle sobre o Orçamento federal, mudando a dinâmica política nacional. A revista britânica aponta que o Legislativo ganhou instrumentos de poder, diminuindo a influência do Poder Executivo em pouco mais de uma década.
A transformação se concentra no crescimento das emendas parlamentares. Em 2015, parlamentares respondiam por cerca de 2% das despesas discricionárias da União; hoje, esse percentual atingiu 25%. Esse aumento de recursos sob influência de deputados e senadores deslocou parte da capacidade de negociação do Palácio do Planalto para o Legislativo.
Apesar da expansão, a publicação ressalva que as emendas representam parcela limitada do orçamento total, pois mais de 90% dos gastos federais são obrigatórios. A mudança ocorre na disputa por recursos com margem política de decisão. A revista também mencionou problemas de transparência, citando auditoria do Tribunal de Contas da União sobre emendas Pix, onde irregularidades foram encontradas em 82% dos casos analisados entre 2020 e 2024.
A influência do Congresso vai além da distribuição de verbas. Os parlamentares demonstram capacidade de derrubar vetos presidenciais e aprovar pautas específicas, como ocorreu na legislação ambiental, com forte participação da bancada ligada ao agronegócio. Outro sinal foi a rejeição, em abril, da indicação de um ministro feita por Luiz Inácio Lula da Silva para o Supremo Tribunal Federal.


