Trinta e nove integrantes do Conselhão do governo federal cobraram critérios de custo-benefício para os investimentos do Fundo Clima. Em carta enviada ao Palácio do Planalto e ao BNDES, os conselheiros pediram restrições a tecnologias de captura de carbono, alegando falta de medição de resultados por tonelada evitada.
Os membros do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável afirmaram que não existem critérios formais de custo-efetividade para orientar a carteira do Fundo Clima. O documento, datado de dez de julho, alertou que a ausência de métricas sobre o que o Fundo entrega por tonelada de carbono evitada o torna vulnerável a desvios de sua função.
O Ministério do Meio Ambiente informou que a pasta trata os temas levantados pelo Conselhão desde março. A gestão do Fundo Clima, criado em dois mil e nove, envolve o Ministério e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que administra a maior parte dos recursos. O orçamento do Fundo em dois mil e vinte e seis é de 42,5 bilhões de reais.
Os conselheiros citaram aportes em indústrias de etanol de milho em Mato Grosso como exemplo de aplicação inadequada. Segundo o texto, essas indústrias consomem muita água em um bioma já sob estresse hídrico e podem estimular o desmatamento no cerrado. A carta também criticou a inclusão da captura de carbono, vista como cara e incipiente.
A recomendação dos membros inclui restringir o financiamento do setor de minerais estratégicos apenas ao beneficiamento e transformação, excluindo a lavra. Eles também sugerem que investimentos no setor de combustíveis fósseis ocorram somente após regulamentação da Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP).


