O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou, nesta terça-feira (14), a elevação temporária da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para 32%, subindo de 30%. A decisão, que terá vigência de 180 dias, busca reduzir a importação de combustíveis e aproveitar o diferencial de custos do biocombustível.
A resolução, que dependia de aval de representantes de 17 ministérios, foi anunciada em abril. Segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), o aumento do teor da mistura deve fazer com que o país deixe de importar 900 milhões de litros de gasolina por ano. Os ensaios realizados pelo MME confirmaram que a adaptação dos sistemas veiculares ao teor de 32% não gera impactos relevantes no desempenho ou no consumo de combustível.
Inicialmente, a elevação foi barrada pela preocupação com o impacto inflacionário. Contudo, a crise no Oriente Médio alterou o cenário. A volatilidade dos preços do petróleo tornou o etanol mais competitivo, o que, segundo nota técnica, tende a reduzir o custo médio da gasolina ao consumidor, gerando um potencial efeito desinflacionário.
A Lei do Combustível do Futuro exige a verificação da viabilidade técnica antes de qualquer aumento. O MME concluiu que a adaptação é plena, permitindo a adoção da medida tecnicamente desde o ano passado, mas o fator geopolítico impulsionou a aprovação final.

