A advogada boliviana Nadia Beller afirmou que o consultor político Fernando Cerimedo pretendia atuar na campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República em 2026. O estrategista argentino está preso na Bolívia, acusado de ser o mandante de um atentado a tiros contra a ex-companheira, que está grávida.
Baleada por dois homens disfarçados de entregadores em Santa Cruz de La Sierra, Nadia passou por cirurgia e recebeu alta. Em entrevista por videoconferência, ela relatou ter questionado Cerimedo sobre as chances eleitorais do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo a advogada, o consultor disse que a situação estava difícil, mas que eles iriam lutar.
A equipe de Flávio Bolsonaro não respondeu aos questionamentos. Interlocutores da pré-campanha afirmaram, reservadamente, que o argentino não possui vínculo com a articulação política do senador. Cerimedo é aliado do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), com quem realizou transmissões digitais sobre o sistema eleitoral brasileiro.
Durante mandados de busca, a polícia boliviana encontrou mais de US$ 40 mil e uma estrutura de disparo automatizado de dados. Nadia afirmou que a operação utilizava inteligência artificial para manipular algoritmos e interferir em debates políticos na América Latina, sincronizando contas em tempo real para inundar redes sociais com mensagens segmentadas.
Cerimedo, que participou da campanha de Javier Milei em 2023, foi indiciado pela Polícia Federal (PF) em inquérito que apura tentativas de golpe de Estado no Brasil, mas não foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR). O governo argentino declarou que Milei não mantém vínculos profissionais com o consultor desde 2023.
A defesa de Cerimedo nega os crimes e afirma que a tentativa de homicídio foi forjada pela vítima. A advogada Margarita Arce declarou à imprensa argentina que se trata de um ataque autoinfligido. O consultor também negou gerenciar estruturas ilegais, alegando que os equipamentos apreendidos eram modems desativados.
Nadia Beller afirma ter sido atacada por denunciar violência doméstica e irregularidades financeiras na administração pública boliviana, onde Cerimedo prestava consultoria não oficial. O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, determinou a apuração rigorosa do caso.


