O mercado de trabalho de bares e restaurantes apresentou desaceleração em julho de 2026, com redução de 41 mil pessoas ocupadas no trimestre encerrado no mês, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
Apesar da perda de ritmo no curto prazo, o número de trabalhadores permanece superior ao registrado há um ano. Entre maio, junho e julho de 2026, o segmento de alojamento e alimentação contabilizou 66 mil pessoas ocupadas a mais do que no mesmo período de 2025.
O emprego formal também perdeu força. Segundo o Caged, julho terminou com saldo negativo de 1.304 postos de trabalho no setor, indicando que o volume de desligamentos superou o de admissões com carteira assinada no mês.
Paulo Solmucci, presidente-executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), afirmou que os números mostram que o setor continua empregando mais do que há um ano, mas em um ritmo mais moderado. Ele explicou que as empresas precisam ajustar as equipes ao movimento dos estabelecimentos e aos custos do negócio.
A variação é atribuída a fatores sazonais, como o encerramento de períodos de maior procura, a exemplo do Dia das Mães e da Copa do Mundo, que exigiram reforço nas equipes no segundo trimestre. O ajuste envolve a redução de contratações e o fim de vínculos criados para demandas específicas.
O consumo das famílias também influencia as decisões. Mudanças na renda disponível impactam a frequência de refeições fora de casa, levando os empresários a agirem com maior cautela nas admissões quando a perspectiva de crescimento da demanda é moderada, informou Solmucci.


