Os registros de contratos de namoro aumentaram 159% em 2025, totalizando 241 atos, o maior número desde o início da contagem pelo Colégio Notarial do Brasil (CNB/CF). O crescimento, que soma 827% desde 2016, é impulsionado por pessoas mais velhas que iniciam novas relações.
O contrato de namoro formaliza uma relação afetiva sem intenção imediata de união estável. Embora não impeça o reconhecimento judicial da união, o documento serve como prova da intenção das partes. O aumento ocorre em um contexto de mudanças familiares; dados do IBGE indicam que quase um terço dos casamentos atuais envolvem pessoas divorciadas ou viúvas.
Eduardo Calais, presidente do CNB/CF, afirmou que o instrumento é usado por pessoas que já construíram patrimônio e buscam transparência. A psicanalista Carol Tilkian explica que a expansão reflete a tentativa de discutir questões financeiras no início dos relacionamentos, algo que antes surgia apenas em crises.
O advogado João Victor Gomes de Siqueira, especialista em processo civil, observou que muitos clientes buscam o documento após separações ou com pendências de relações anteriores, temendo redividir bens. Ele ressalta que o Judiciário pode reconhecer a união estável mesmo com o contrato existente, dependendo das circunstâncias.

