Cooperativas de crédito tornaram-se a única opção de serviço financeiro para a população de 44 municípios de Goiás. Atualmente, o sistema possui 485 unidades de atendimento distribuídas por 170 das 246 cidades do Estado, abrangendo quase sete de cada dez localidades goianas.
A expansão do modelo reflete o aumento da procura pelo sistema. Nos três primeiros meses de 2026, 18,2 mil pessoas ingressaram em cooperativas de crédito no Estado. Segundo Luís Alberto Pereira, presidente do Sistema Organização das Cooperativas Brasileiras em Goiás (OCB/GO), a permanência em cidades menores ocorre mesmo quando a rentabilidade é inferior à de bancos tradicionais.
Pereira afirma que a ausência de instituições financeiras provoca a decadência de municípios, pois trabalhadores e aposentados precisam se deslocar para cidades vizinhas para receber pagamentos, consumindo a receita fora do comércio local. Estudos do setor indicam que cidades com cooperativas apresentam IDH cerca de 5% maior, além de maior escolarização e menor dependência de programas sociais.
O impacto financeiro também atinge o setor produtivo. Dados de Luiz Lesse, presidente da Confederação Brasileira das Cooperativas de Crédito (Confebras), revelam que a carteira de crédito para pessoas jurídicas em Goiás somou R$ 11,12 bilhões em 2025. Desse montante, R$ 3,99 bilhões foram direcionados a micro e pequenas empresas.
O modelo se diferencia pela participação dos associados na gestão e a distribuição de sobras, que equivalem ao lucro da instituição. Raimundo Nonato, presidente da central Sicoob Uni, explica que taxas competitivas e a proximidade com o cliente são fatores que atraem novos membros.
O setor agora busca ampliar a adesão entre o público jovem. Para isso, a OCB/GO realizou evento em Goiânia que reuniu 3 mil estudantes do ensino médio para apresentar a filosofia cooperativista, visando formar novos associados e profissionais para a área.


