O corpo humano passa por um processo chamado aclimatação térmica para ajustar a forma como elimina o calor durante as mudanças sazonais. Segundo Julien Périard, professor da Universidade de Canberra, na Austrália, a adaptação é progressiva e ocorre principalmente em pessoas que passam tempo e praticam atividades físicas ao ar livre.
Quando o organismo enfrenta o calor antes de estar adaptado, a temperatura da pele e a temperatura central do corpo sobem, disparando alertas de estresse térmico. Para combater esse estado, o corpo aumenta o fluxo sanguíneo na pele e intensifica a transpiração. A evaporação do suor resfria a superfície cutânea, enquanto o maior volume de sangue bombeado facilita a dissipação do calor e sustenta a sudorese sem causar desidratação imediata.
A adaptação também ocorre em nível celular, com o aumento da produção de proteínas que protegem as funções normais do organismo em temperaturas elevadas. O processo para atingir o estado de adaptação plena pode levar algumas semanas. Atletas e trabalhadores expostos ao sol, como profissionais de serviços públicos no Texas, costumam aumentar gradualmente o tempo de exposição para manter a saúde sob esforço.
Embora a aclimatação reduza os riscos de insolação e exaustão térmica, ela não elimina a vulnerabilidade a doenças relacionadas ao calor. Glen Kenny, professor de fisiologia da Universidade de Ottawa, no Canadá, alerta que o aquecimento global pode trazer mudanças tão rápidas e extremas que o corpo não conseguirá reagir a tempo.
Em experimento que simulou uma onda de calor de três dias, Kenny monitorou a deterioração da função celular e a perda de peso por incapacidade de hidratação rápida. O pesquisador observou que, apesar de haver uma adaptação progressiva, o sistema fisiológico que mantém a temperatura central do corpo sofre desgaste em situações extremas.
O organismo também possui uma espécie de memória térmica. Se uma pessoa for retirada do calor e retornar a ele em até um mês, as adaptações podem ser recuperadas em três ou quatro dias, processo que originalmente levaria dez dias. Já a adaptação ao frio é mais limitada, baseando-se apenas em tremores e na constrição sanguínea para manter o calor na circulação central.

