Os Correios fecharam o segundo trimestre de 2026 com prejuízo de R$ 2,4 bilhões, segundo demonstrações financeiras divulgadas neste sábado (29). O resultado representa uma queda de 24,4% em relação à perda de R$ 3,16 bilhões registrada nos três primeiros meses do ano, embora o saldo negativo seja 5,5% maior que o do mesmo período de 2025.
No primeiro semestre, a estatal acumula prejuízo de R$ 5,55 bilhões. O valor é 30,4% superior ao saldo negativo de R$ 4,26 bilhões registrado no mesmo período do ano anterior. A companhia opera com contas no vermelho desde 2022 e teve seu pior desempenho em 2025, com perda total de R$ 8,5 bilhões.
Sob a gestão de Emmanoel Rondon, presidente desde setembro de 2025, a empresa traçou um plano de reestruturação. A apuração indica que a estatal calculou a necessidade de R$ 20 bilhões para equilibrar o caixa e recuperar as atividades. O plano inclui a regularização de dívidas e a implementação de novos programas de demissão voluntária.
Para viabilizar a operação, a companhia obteve R$ 12 bilhões em empréstimo com Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander em dezembro de 2025. A União atuou como fiadora da operação. Atualmente, os Correios negociam um segundo crédito de R$ 7 bilhões.
O Tesouro Nacional deve incluir na proposta de Orçamento de 2027 um aporte de R$ 6 bilhões para a estatal. A injeção de capital foi uma exigência dos bancos para a liberação do primeiro empréstimo. A empresa pretende usar a maior parte desse recurso para abater os créditos contratados e reduzir o endividamento.
A crise financeira foi agravada pelo descontrole de ações judiciais e aumento de despesas com pessoal. Em 2024, a receita foi impactada pelo programa Remessa Conforme, que desobrigou a distribuição de encomendas vindas do exterior pelos Correios.


