Investigações sobre a relação de um dos filhos do presidente e de um ex-chefe de gabinete com uma lobista colocam a corrupção no caminho da campanha de Lula. Aliados do candidato avaliam que a situação dificulta o plano de desgastar o senador Flávio Bolsonaro.
Em maio, um áudio revelado por um veículo de comunicação mostrou Flávio solicitando dinheiro ao dono do antigo Banco Master para finalizar um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O episódio permitiu aos petistas usar a pauta do combate à corrupção, tema explorado por adversários desde os escândalos do mensalão e da Lava Jato.
Posteriormente, surgiram informações sobre a atuação de Fábio Luiz, conhecido como Lulinha, em conjunto com a lobista para vender medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde. A lobista também enviou uma minuta de contrato relacionada à transação para Marco Aurélio Santana Ribeiro. O ex-chefe de gabinete de Lula, Marcola, teria recebido joias e repasses em dinheiro da lobista.
As investidas no Ministério da Saúde não avançaram. Tanto o filho do presidente quanto Marcola negam irregularidades. O advogado que defende Lulinha classificou a atuação de setores da Polícia Federal que vazam dados como “esculhambação”.
A avaliação interna do grupo de Lula divide-se. Uma parte acredita que ficou mais difícil vencer Flávio Bolsonaro na narrativa de corrupção. Outra parte considera que ambos os eleitorados são fiéis e pouco suscetíveis a mudar o voto por conta dessas notícias. O plano do PT é atacar Flávio e retomar o caso “Dark Horse” no debate público, já que as acusações são contra pessoas ligadas a Lula, e não diretamente ao presidente.

