A proximidade do limite da cota chinesa deve reduzir temporariamente as exportações brasileiras de carne bovina. Alê Delara, especialista em agronegócios, prevê uma desaceleração dos embarques até outubro, afetando inicialmente frigoríficos habilitados a atender o mercado chinês.
Delara afirmou que o comportamento se assemelha ao observado com a Austrália, que já preencheu sua cota. Segundo o especialista, o Brasil parou de embarcar cerca de 100 mil toneladas para a China no mês passado. Para o fechamento de agosto, ele projeta uma retração de cerca de 30% nas exportações comparado ao ano anterior.
A cadeia produtiva sentirá o impacto primeiro. Os frigoríficos exportadores habilitados deverão realocar parte da produção para outros países. Esse movimento já ocorreu em julho, quando, apesar da queda de 100 mil toneladas para a China, as exportações totais brasileiras recuaram 69 mil toneladas.
O efeito se estende aos pecuaristas regionais ligados ao fornecimento chinês. Delara resumiu que a transmissão do impacto começa no exportador e segue para o produtor regional. Outros mercados, como Estados Unidos, Argentina e Uruguai, podem absorver parte do volume, mas o especialista avalia que a compensação não será integral devido à dimensão do mercado chinês.
A desaceleração deve se intensificar até outubro, mas não há interrupção dos embarques até dezembro, pois a cota é contabilizada na chegada ao país. Delara acrescentou que a queda na demanda por cortes do dianteiro pode pressionar a margem dos frigoríficos, mas a redução na oferta interna pode sustentar os preços domésticos.


