O crédito privado surge como alternativa para financiar projetos de expansão, modernização e inovação de empresas brasileiras. De acordo com o Banco Central, o financiamento utiliza recursos captados no mercado de capitais, distanciando-se da dependência exclusiva do balanço bancário.
A principal diferença entre este modelo e o crédito bancário tradicional reside na origem dos recursos e na distribuição de risco. Enquanto o banco assume diretamente o risco com seu balanço, no crédito privado os recursos vêm de investidores que participam por meio de estruturas como títulos de dívida e securitização de recebíveis.
A necessidade por essas opções cresce em um cenário de cautela na indústria nacional. Em 2026, apenas cinquenta e seis por cento das companhias industriais pretendem manter novos aportes, enquanto sessenta e três por cento citam incertezas econômicas como principal obstáculo ao investimento.
Volnei Eyng, fundador e CEO da Multiplike, explica que o crédito privado permite estruturar operações conforme a realidade da empresa, atendendo a prazos e garantias que o sistema bancário padrão nem sempre oferece. O objetivo é fazer com que a dívida acompanhe o período de geração de caixa do projeto.
Contudo, a contratação de crédito não garante melhoria financeira automática. Eyng alerta que o ponto central é casar o prazo da dívida com o horizonte de geração de caixa. Usar dívida longa para cobrir despesas correntes, por exemplo, aumenta a pressão financeira sem gerar receita.


