O número de bicicletas elétricas, autopropelidos e ciclomotores em circulação no Brasil cresceu 37 vezes entre 2016 e 2024. O aumento, de 7,6 mil para 284 mil unidades, coloca o tema em discussão sobre como as cidades gerenciam esse fenômeno de mobilidade.
Luiz Saldanha, diretor executivo da Aliança Bike, informou que a população adotou os veículos de forma espontânea, o que gera conflitos de uso. Para ele, a questão agora é ordenar a circulação desses meios de transporte no cotidiano urbano.
Conflitos entre veículos leves e pesados já resultaram em tragédias. Um menino de nove anos e sua mãe morreram em março deste ano, no Rio de Janeiro, após serem atropelados por um ônibus enquanto estavam em um autopropelido.
O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) regulamenta esses veículos por meio de resoluções, sendo a mais recente de 2023. A legislação divide os equipamentos em três categorias: bicicletas elétricas, autopropelidos e ciclomotores.
Os autopropelidos, por exemplo, não precisam de propulsão humana e não podem exceder 32 km/h. Raphael Pazos, da Comissão de Segurança do Ciclismo do Rio de Janeiro, afirmou que a resolução de 2023 alterou a nomenclatura de dispositivos de mobilidade, permitindo que o que antes era um ciclomotor fosse classificado como autopropelido e utilizado em ciclovias.
Marcus Quintella, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), disse que as cidades necessitam se adaptar a essas modernidades, pois o planejamento urbano atual não contempla totalmente esses novos modais de transporte.

