A baixa cobertura securitária no Brasil expõe a economia a riscos climáticos crescentes. Apenas 9% do Produto Interno Bruto (PIB) é protegido por seguros, segundo Monique Cardoso, superintendente de Sustentabilidade da CNseg. A lacuna de proteção é maior na Região Norte, onde apenas 2% das atividades estariam cobertas.
A diferença entre a proteção nacional e a de países desenvolvidos, que alcançam 20% a 50% do PIB coberto, evidencia um grande gap financeiro. Segundo Cardoso, ampliar essa proteção diminui a dependência dos cofres públicos em caso de choques catastróficos. O setor de seguros busca, portanto, ir além do pagamento de indenizações pós-evento.
A proposta é que as seguradoras participem da análise de projetos, utilizando dados para identificar riscos físicos, operacionais e financeiros e sugerir medidas de mitigação. Essa mudança exige avanços regulatórios para incorporar benefícios ambientais no cálculo de risco e crédito. Cardoso afirmou que “o seguro é um instrumento completo. Ele não é só um instrumento de indenização financeira pós-evento”.
No âmbito empresarial, a percepção de risco dificulta investimentos em transição energética. Rodrigo Lauria, diretor de Mudança Climática e Carbono da Vale, comentou que a solução passa pela distribuição de riscos via garantias e estruturas de blended finance. Já Luiz Lessa, CEO do Banco da Amazônia, defendeu que o risco socioambiental deve ser precificado na taxa de juros de qualquer crédito, citando dificuldades logísticas na região.


